Abril de 2008, Rocja Pasacuc. Sebastián abraça suas irmãs Adelina e Marcelina.
Em 1981, o povoado de Rocja Pasacuc, no distrito de Alta Verapaz, foi atacado várias vezes. Homens armados assassinaram civis, incendiaram casas e mataram animais. Devido aos ataques, os moradores tiveram de deixar suas casas em busca de segurança. As jovens irmãs Adelina e Marcelina Max estavam entre as pessoas que foram obrigadas a fugir da violência. Elas levaram seu irmão de dois anos, Sebastián.
Em meio ao pânico e ao caos, Sebastián escorregou dos braços de Adelina, que não pôde voltar para buscá-lo. As irmãs pensaram que ele estava morto.
Sebastián foi encontrado e criado por outra família, que o chamou de Felipe Castro Maldonado. Ele fugiu aos 10 anos de idade e, aos 16, como tantos outros garotos na mesma situação, ingressou no exército. Após ser dispensado, trabalhou em uma fábrica têxtil, onde conheceu sua mulher – com quem tem hoje um filho.
Durante esse período, Felipe foi atormentado pela dúvida e a incerteza. Finalmente resolveu procurar a organização ¿Dónde están los Niños y las Niñas? (Onde estão as crianças?), esperando que ela pudesse ajudá-lo a saber detalhes sobre seu passado.
“Quando conseguimos encontrar as irmãs de Sebastián, foi um momento incrível. Elas nos disseram que ele tinha apenas dois anos quando ficou perdido nas montanhas.”
©CICR/Carla Molina
Manuel Cedillo, presidente de ¿Dónde están los Niños y las Niñas?
A organização imediatamente começou a investigar sobre seu caso em vários povoados e estados na área de Playa Grande, bem como em outros lugares próximos de Alta Verapaz. As investigações levaram a equipe ao povoado de Rocja Pasacuc, onde moram Adelina e Marcelina, irmãs de Sebastián.
Em 26 de abril de 2008, após 28 anos de incerteza, a família Max se reuniu em Rocja Pasacuc. “Pensei que meu irmão estava morto”, disse Adelina. “No entanto, graças ao trabalho da organização, posso agora abraçá-lo”.
“Finalmente consegui o que esperei por tanto tempo. Minha vida tem sido dura, mas agora tudo mudou para sempre. Tenho uma família. Não estou mais sozinho, nem minhas irmãs.”
Na Guatemala, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) apóia as atividades de organizações não-governamentais que trabalham para reunir as famílias que têm o direito de saber o destino de seus parentes.