Durante esse período, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) acompanhou a situação humanitária no norte da República Centro-Africana (RCA) por meio de suas três subdelegações (em Paoua, Kaga-Bandoro e Birao) e realizou atividades para promover o respeito aos civis e aos bens civis. Em parceria com voluntários da Sociedade da Cruz Vermelha Centro-Africana, a organização ofereceu ajuda a milhares de deslocados e às comunidades que os abrigaram. O CICV também realizou visitas regulares a pessoas privadas de liberdade, particularmente aquelas detidas em relação com o conflito, e monitorou o estado de saúde e as condições de detenção das populações presas na RCA.
Uma maior presença do CICV permite que a organização permaneça em contato com grupos atingidos pelo conflito e aumente a consciência de todas as partes quanto à sua obrigação de respeitar civis e os bens civis.
Assistência
Oferecer acesso às necessidades básicas para pessoas deslocadas e comunidades
Em parceria com voluntários da Cruz Vermelha Centro-Africana, o CICV ofereceu assistência emergencial a pessoas deslocadas, na forma de artigos essenciais, sementes e ferramentas agrícolas.
Entre janeiro e maio de 2008, a organização:
- entregou 9.438 cobertores, 4.854 lonas, 9.480 esteiras de dormir, 4.431 utensílios de cozinha, 10.494 baldes, 27.500 barras de sabão e 5.206 mosquiteiros a 55.857 pessoas (10.946 famílias) em Ouham, Ouham-Pendé, Nana-Gribizi e Vakaga;
- distribuiu 17.089 enxadas e sementes agrícolas a 47.635 pessoas (9.646 famílias);
- e consertou 40 arados.
Acesso a água potável e melhores condições de higiene
O CICV continuou seu trabalho de restaurar redes de abastecimento de água e melhorar a higiene nas regiões do norte afetadas pelo conflito.
Durante o período de janeiro a maio de 2008, a organização:
- consertou 5 bombas manuais (substituindo uma delas), reconstruiu 2 poços (o trabalho continua em 9 outros), perfurou 5 poços (e está perfurando outros 13) e protegeu 2 nascentes (os trabalhos prosseguem em outras 4), beneficiando 10.540 pessoas;
- construiu 288 latrinas individuais e 13 comunitárias (6 estão em construção) para 2.744 pessoas;
- iniciou os trabalhos de renovação do posto de saúde (para 8.147 pessoas);
- forneceu material de construção a 377 famílias afetadas pelo conflito para que possam reforçar suas casas;
- realizou aulas de conscientização sobre higiene em 75 povoados (abrangendo 5.250 pessoas) no norte do país.
No total, 28.500 pessoas se beneficiaram dessa ajuda.
Proteção
Visitas a pessoas privadas de liberdade e a garantia de que sua dignidade será respeitada
A organização visitou regularmente pessoas detidas em prisões e unidades policiais e avaliou o estado de saúde e as condições de vida de todas as populações carcerárias.
Desde janeiro de 2008, o CICV:
- visitou mil detidos em 36 centros de detenção e ajudou a melhorar as condições de saúde das populações de presos;
- distribuiu sabão, baldes e vassouras a detidos nos 36 centros de detenção visitados;
- entregou suprimentos médicos e medicamentos básicos nas prisões de Ngaragba, Bimbo, Bossangoa e Sibut;
- acompanhou o projeto do jardim da prisão de Bossangoa;
- monitorou o quadro nutricional nas prisões Bimbo, Ngaragba, Sibut, Bossangoa e Bossembélé;
- permitiu que os detidos mantivessem contato com suas famílias.
Troca de notícias entre parentes e restabelecimento de laços familiares
Graças às Mensagens Cruz Vermelha, o CICV garantiu que pessoas deslocadas e refugiados sudaneses na RCA entrassem novamente em contato com suas famílias.
Durante o período analisado, a organização:
- em parceria com a delegação do CICV no Congo-Brazzaville, retornou às suas famílias três crianças refugiadas congolesas da República Democrática do Congo (RDC), que haviam encontrado abrigo no Congo-Brazzaville;
- coletou e distribuiu 180 mensagens da Cruz Vermelha. Elas permitiram que civis, incluindo refugiados, mantivessem contato com seus parentes.
Promoção do Direito Internacional Humanitário
Aumentando a consciência sobre o respeito à população civil
O CICV continuou a realizar eventos de conscientização, a fim de divulgar seu mandato e suas atividades e promover o Direito Internacional Humanitário (DIH) entre forças armadas e de segurança, grupos armados opositores, autoridades públicas, meios de comunicação e o mundo acadêmico.