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29-09-2006  Reportagem  
“Agora temos água para dar e compartilhar”
Ao longo dos últimos seis anos, por meio de seu programa de água e moradia, a delegação do CICV na Colômbia apoiou mais de 230 projetos com vistas a melhorar as condições de vida das pessoas atingidas pelo conflito armado. Em Orobugo (Antióquia), graças à construção de um aqueduto, os 360 habitantes finalmente receberam água potável em suas casas.

©CICV/

Na escola rural de Orobugo Medio, os preparativos para a grande celebração estavam quase terminados. As mulheres estavam correndo para checar se tudo estava sendo feito de acordo com os planos. As crianças estavam brincando alegremente. Os homens conversavam amigavelmente entre eles enquanto testavam o sistema de som.

Ciente de que a população do município de Urrao é extremamente vulnerável aos efeitos do conflito armado, o CICV providenciou obras na região no valor de 156 milhões de pesos.

  • No povoado de Pavón, apoiou a reforma da escola rural; um projeto que beneficiou 240 crianças.
  • No vilarejo de San Matías, a organização construiu uma sala de aula e uma cantina para a escola, freqüentada por até 450 pessoas.
  • Na escola rural em Sabana, construiu banheiros para as 84 crianças da comunidade.
  • Em Vásquez, o CICV apoiou a construção de um centro de saúde que deve ser aberto no final de 2006 e atenderá mais de 2 mil pessoas de nove comunidades, das quais três são formadas por indígenas.

Havia chegado o grande dia. Depois de nove meses de trabalho duro, os 360 moradores do vilarejo de Orobugo (município de Urrao, Antioquia), tinham finalmente água potável em casa, graças à construção de um aqueduto. Longe eram os dias em que eles tinham de esperar que a água fluísse de uma fonte natural por meio de um sistema improvisado com mangueiras. Também estavam longe os dias quando as crianças costumavam adoecer depois de beber a água de qualidade ruim.

A situação mudou agora. Catorze quilômetros de canos subterrâneos trazem o precioso líquido para qualquer casa no vilarejo. O aqueduto foi construído sob uma das montanhas que circundam o povoado, a cerca de duas horas de viagem de mula. Três tanques de dez mil litros cada um e todo o material necessário para concluir o trabalho foram trazidos aos poucos. “Como eles fizeram isso?” é a pergunta nos lábios das pessoas quando elas vêem onde foi feita a instalação, que consiste de uma calha para os canos, tanques de depósito e uma usina capaz de tratar a água a uma velocidade de 1 litro por segundo.

No entanto, mais significativo que os desafios que tiveram de ser superados durante a construção do aqueduto são os benefícios que o projeto vai trazer para essa comunidade. As 56 famílias, que incluem um total de 180 crianças, estão morando numa área seriamente atingida pelo conflito armado. Foi isso o que levou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia a apoiar as autoridades locais e a comunidade na implementação deste importante projeto.

A fim de garantir a sustentabilidade, os moradores de Orobugo instalaram um conselho de administração para gerir o aqueduto. Nas palavras de Elkin Martínez, tesoureiro do conselho local:“Depois de todo esse esforço, é importante se certificar de que o aqueduto funcione bem e que mantenhamos um alto nível na qualidade da água. Para nos ajudar a conseguir isso, estabelecemos o pagamento fixo mensal de mil pesos e um preço muito baixo por litro”

Blanca Gladys Cartagena mora no vilarejo há 11 anos. Ela viu várias crianças crescerem lá. “Eu costumava a sofrer quando via as crianças com dores de estômago todas as vezes que bebiam água. Também tinha o hábito de lavar as roupas no rio. Agora as crianças poderão beber a água sem adoecer e eu vou poder lavar roupas aqui mesmo em casa. Agora temos água para dar e compartilhar.”


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29-09-2006