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26-05-2008  Reportagem  
Israel/Gaza: marido está detido há 23 anos
Thanai é uma das centenas de esposas palestinas cujos maridos estão detidos em prisões israelenses. Nos últimos 23 anos, ela precisou criar sozinhas os seis filhos. Em junho de 2007, as autoridades israelenses suspenderam todas as visitas familiares; ela está desesperada para vê-lo novamente.

Thanai teme que nunca verá seu marido novamente. Nos últimos 23 anos o casal morou separado, depois que ele foi detido por forças israelenses em Gaza e mais tarde preso em Israel, deixando-a grávida e com cinco filhos. A sentença de prisão que recebeu condenou-o a ficar atrás das grades pelo resto da vida.

©ICRC/M. A. Albaba
Thania Mustafa Herig segura uma foto de seu marido; ela espera poder novamente visitá-lo na prisão se o programa de visitas familiares for retomado em Gaza.

Logo depois da captura de seu marido, ela deu luz a uma menina, o sexto filho do casal. "Hoje ela tem 23 anos e tem o seu próprio filho. Meu marido se tornou pai e avô na prisão, mas não sabemos se ele poderá ver seus netos", afirma.

Thanai costumava visitar o marido duas vezes por mês, no âmbito do programa de visitas familiares do CICV. Mas ela diz que desde 2001, as autoridades israelenses permitiram apenas três visitas, por razões de segurança. Em junho de 2007 as visitas foram totalmente suspensas.

"Sinto muita falta do meu marido e preciso que ele cuide da família. Só tive permissão para conversar com ele uma vez por telefone", declara Thanai, segurando uma foto dele que foi tirada na prisão há 13 anos. Ela explica que, normalmente, a cada seis meses são tiradas fotos na prisão a cada seis meses, e depois entregues às famílias.

A única maneira de se comunicar diretamente com seu marido é por meio das Mensagens Cruz Vermelha – mensagens pessoais enviadas e entregues por meio do CICV. As mensagens só podem ter informações pessoais e precisam passar pela censura das autoridades.

Gesto de desafio

Embora as visitas familiares tenham sido suspensas por quase um ano, Thanai e mais 1.100 parentes de detidos de Gaza ainda se inscrevem no CICV para fazê-las, num gesto de esperança e desafio. O CICV tem pedido sempre às autoridades que permitam a retomada das visitas, mas isto tem sido repetidamente negado.

©ICRC/M. A. Albaba
A imprensa local acompanha a espera em frente ao escritório do CICV, onde os familiares dos detidos se reúnem toda segunda-feira para protestar contra a suspensão das visitas.

Quase todas as segundas-feiras, centenas de familiares se reúnem para um protesto em frente ao escritório do CICV na Cidade de Gaza. Acompanhados de perto pela mídia local, eles vêm expressar solidariedade para com os parentes detidos e protestar contra a suspensão das visitas. Eles também querem oferecer alguma esperança para os detidos.

"Às segundas-feiras eles estão esperando nas prisões para ver nossos rostos na televisão ou ouvir nossas vozes no rádio, uma vez que não podem nos ver ou falar conosco na vida real", explica ela.

Pessoal e apolítico

O desejo mais ardente de Thanai é que seu marido seja solto da prisão e que possa vir para casa e se juntar à sua família. Mas por enquanto tudo o que ela pode fazer é repetir a exigência de que as visitas sejam retomadas.

"Isto não tem nada a ver com política. Só queremos poder ver nossos parentes, encontrá-los, conversar com eles. Se eu não tiver mais autorização para vê-lo, pode ser que não nos vejamos mais pelo resto de nossas vidas", afirma.

As famílias de palestinos detidos nas prisões israelenses recebem apoio financeiro das autoridades palestinas. Isto as ajuda a seguir adiante, em um território em que as condições de vida são extremamente difíceis para a maioria das famílias e os serviços básicos às vezes não existem. Mas as dificuldades de Thanai são mais do que de ordem material: "Meus filhos cresceram sem um pai que lhes desse uma educação. Hoje todos estão crescidos", suspira.

No entanto, ela também se preocupa pelo bem estar de seu marido. Os detidos dependem das visitas dos parentes para terem acesso a gêneros básicos como roupas. Mas os benefícios psicológicos das visitas são bem maiores.

"As visitas são muito importantes para os detidos, a fim de que eles possam ver as famílias. Meu marido passa o tempo na prisão só esperando pela nossa visita. Espero que seja logo", murmura.


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26-05-2008